Nem presente, nem futuro: Cerca de 267 milhões de jovens não trabalham, não estudam nem frequentam formação

Jovens enfrentam um futuro incerto no mercado de trabalho. Novo relatório da OIT revela que há 267 milhões de jovens sem emprego, educação ou formação.

Novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, publicado nesta segunda-feira, 9 de março, alerta que os jovens enfrentam um futuro incerto no mercado de trabalho. 

 

De acordo com o  relatório “Tendências mundiais do emprego jovem 2020”, existem no mundo 1.300 milhões de jovens (entre os 15 e os 24 anos), dos quais 267 milhões são NEET (acrónimo em inglês para designar jovens que não estudam, não trabalham nem frequentam formação). Do total de jovens “nem nem”, dois terços (181 milhões) são mulheres, sendo que as raparigas têm mais do dobro da probabilidade de serem jovens NEET. 

De acordo com a OIT, desde 2017 que existe uma tendência de crescimento de jovens que não estudam não trabalham nem frequentam formação e que deverá continuar a aumentar, alcançando 273 milhões em 2021. A taxa de jovens NEET passou de 21,7% em 2015 para 22,4% em 2020.

Estas tendências implicam que a meta estabelecida pela comunidade internacional para reduzir substancialmente a taxa de Neet até 2020 não será alcançada.  
 
“Não estão a ser criados suficientes postos de trabalho para estes jovens […] Não podemos desaproveitar esse talento nem o investimento no ensino se queremos fazer face aos desafios que nos colocam a tecnologia, as alterações climáticas, as desigualdades” e a demografia, afirma, em comunicado, Sukti Dasgupta, diretora do serviço de políticas de emprego e de mercado de trabalho do departamento de política de emprego da OIT.
 

Jovens que concluem estudos de nível superior correm menos riscos de verem o seu posto de trabalho substituído pelo efeito da automatização.

Segundo a organização, os jovens que concluem estudos de nível superior correm menos riscos de verem o seu posto de trabalho substituído pelo efeito da automatização.

Contudo, enfrentam outros desafios, visto que o rápido aumento do número de jovens com estudos superiores na população ativa é superior à procura deste tipo de mão-de-obra, o que faz baixar os salários dos jovens com formação superior.

“O rápido aumento do número de jovens com estudos superiores na população ativa é superior à procura deste tipo de mão-de-obra o que faz baixar os salários dos jovens com formação superior”, conclui o relatório.

 

 

Precariedade, baixos salários e pobreza

 Os avanços tecnológicos, a nova economia digital e novas formas de emprego, com contratos de trabalho mais precários (ou inexistentes) e salários mais baixose faz baixar os salários dos jovens com formação superior.

“A má qualidade dos empregos de muitos jovens manifesta-se nas condições de trabalho precárias, na falta de proteção jurídica e social e nas oportunidades limitadas de formação e progressão profissional”, refere o documento, indicando que “três em cada quatro trabalhadores jovens em todo o mundo estavam na economia informal em 2016, o que mostra a magnitude do problema”.

A taxa mundial de desemprego juvenil é de 13,6%, variando de forma considerável entre regiões, e os jovens têm três vezes mais probabilidades de estarem desempregados do que os adultos (com 25 anos ou mais).

Mesmo entre os 429 milhões de jovens que têm emprego em todo o mundo, cerca de 55 milhões (13%) vivem em condições de extrema pobreza, enquanto 71 milhões (17%) estão em situação de pobreza moderada.

 

Leia na íntegra, a mais recente edição do relatório intitulado em inglês Global Employment Trends for Youth 2020: Technology and future of Jobs  (GET Youth 2020), ou ” Tendências Globais para o Emprego Juvenil 2020: a tecnologia e o futuro dos empregos.

 

Nota informativa

Global Employment Trends for Youth 2020: Americas  [pdf 146KB] 

Página de internet

ILO Topic Portal on Youth Employment 

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