Associação ACEGIS

EAPN Portugal

O “Borda d’Água da pandemia: Guia de Recursos para pessoas idosas isoladas” consiste na produção e organização de um conjunto de recursos direcionados para as pessoas idosas isoladas, validados cientificamente, e que efetivamente possam contribuir para o bem-estar das pessoas idosas que se encontrem em situação de isolamento, durante e após a pandemia provocada pelo vírus COVID-19, nos distritos de Bragança, Coimbra, Guarda e Vila Real.

Este Guia assume-se essencialmente como uma ferramenta prática de suporte ao trabalho social, nomeadamente na dimensão da promoção da participação deste tipo de públicos.

A crise pandémica que atravessamos neste momento, provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) COVID-19, provocou mudanças incontornáveis no nosso quotidiano, com potenciais impactos, quer a nível individual, quer a nível sistémico e global. Para os profissionais que continuam a exercer a sua atividade, nomeadamente no cuidado a pessoas com maior vulnerabilidade, os desafios que se colocam são diversos e podem afetar o bem-estar físico e psicológico destes. Esta nova realidade acabou por se tornar na maior preocupação de todos os Estados Membros e de todas as instituições europeias, focadas agora em garantir e preservar a segurança dos seus cidadãos, sobretudo dos considerados mais vulneráveis e permeáveis ao vírus, destacando as pessoas idosas.

As estatísticas mostram que a população idosa encontra-se vulnerável em diversas dimensões: económicas, psicossociais e de saúde. Estima-se que existam em Portugal mais de 41 000 idosos a viverem sozinhos e/ou isolados. No entanto, neste momento e com o encerramento de muitos serviços locais, como os Centros de Dia, Centros de Convívio, Universidades Seniores e Programas Municipais, este número pode ser bastante superior, fazendo assim aumentar o sentimento de solidão e isolamento das pessoas idosas. A incerteza dos dias e o afastamento das famílias e amigos, está a provocar nervosismo, ansiedade e sentimentos depressivos que, a longo prazo, podem ter consequências sérias na vida destas pessoas e um peso considerável nos serviços, nomeadamente, na saúde.

 

Atendendo a que as Instituições se debatem agora com a incapacidade de garantir a segurança e cuidados adequados aos mais idosos; com a dificuldade no acesso a equipamento de proteção e com a redução dos recursos humanos e ainda, com a sobrecarga (e contínua motivação) das equipas que estão em funcionamento. Também as restrições de alguns serviços até agora prestados, como o Serviço de Apoio Domiciliário (que pode ter aumentado em termos de número de utilizadores devido ao encerramentos das respostas sociais de Centro de Dia e Centro de Convívio) leva a uma necessária reflexão sobre as respostas disponíveis para as pessoas idosas.

O Guia que aqui apresentamos, “O Borda d’Água da pandemia: Guia de Recursos para pessoas idosas isoladas”, consiste na criação de um guia de recursos com uma componente prática de atividades tipificadas em função dos destinatários finais, sendo possível a sua aplicação com e sem apoio técnico, por exemplo à distância ou presencial. Este instrumento irá ajudar não só as IPSS a desenvolverem ainda melhor o acompanhamento a pessoas idosas em isolamento, mas também e, principalmente, a promoção do bem-estar psicológico e físico da pessoa idosa que esteja sozinha e/ou isolada.

 

Em Portugal, e em 2019, foram sinalizadas pela GNR 41 868 pessoas idosas a “viverem sozinhas e/ou isoladas, ou em situação de vulnerabilidade em razão da sua condição física, psicológica, ou outra que possa colocar a sua segurança em causa.

A situação da COVID-19 veio abalar as condições de vida e de saúde de todas as pessoas e veio despertar ainda mais a atenção para as pessoas idosas. Podemos dizer que esse despertar assumiu numa primeira fase um olhar de preocupação assente na ideia de que as pessoas idosas são dos grupos mais frágeis à pandemia e precisam de ser protegidas. O isolamento social era uma prioridade. No entanto, este isolamento, para além dos impactos psicológicos e sociais nas pessoas, revestiu-se também de alguns discursos estereotipados relativamente à idade, ao envelhecimento e às pessoas mais idosas. O risco de limitar a liberdade individual e os direitos fundamentais das pessoas foi uma realidade e, se no período de início da pandemia era necessário atuar sobre isso, no atual momento, em que já estão a ser pensadas e aplicadas formas de recuperação, precisamos de tornar isto uma prioridade.

Em Portugal, e em 2019, foram sinalizadas pela GNR 41 868 pessoas idosas a “viverem sozinhas e/ou isoladas, ou em situação de vulnerabilidade em razão da sua condição física, psicológica, ou outra que possa colocar a sua segurança em causa”. Acresce que, de acordo com a informação dos Censos Sénior 2019 que são as regiões do Interior do país, como Vila Real (4 736) e a Guarda (4 183), onde residem o maior número de pessoas nesta situação. Mas também distritos do Alentejo, como Beja (3 573), e mesmo do Algarve, Faro (3 272), onde essa é uma realidade presente entre este grupo populacional.

É importante realçar que a situação de pobreza das pessoas idosas é uma realidade marcante no nosso país. Segundo os dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística, em 2018, 17,3% das pessoas com 65o u mais anos viviam em risco de pobreza.

Se a solidão das pessoas mais velhas é uma preocupação, a ligação à pobreza torna essa preocupação ainda mais urgente. A pandemia veio colocar o país numa nova situação de crise económica e social que apesar de atingir todas as pessoas, não as atinge de igual forma.

Nesse sentido, a construção deste Guia assume-se como uma ferramenta prática de suporte ao trabalho social, de forma  a contribuir  para a melhoria do bem-estar psicossocial da pessoa idosas, promovendo o desenvolvimento e a estimulação cognitiva e motora da pessoa idosa isolada. 

Esta ferramenta é um Guia dinâmico, desenhado para poder ser utilizado diretamente pelas próprias pessoas isoladas, com vários momentos de interação, mas também passível de ser aplicado igualmente pelos profissionais sociais que trabalham com estes públicos e até no próprio seio familiar, promovendo uma enorme flexibilidade e potencialidade na sua utilização. E que esta possa ser mais uma ferramenta que contribua efetivamente para combater o isolamento e solidão das pessoas idosas nesta fase de pandemia que vivemos.

“Borda d’Água da pandemia: Guia de Recursos para pessoas idosas isoladas”

Para mais informações contactar:
Núcleo Distrital de Bragança – braganca@eapn.pt
Núcleo Distrital de Coimbra – coimbra@eapn.pt
Núcleo Distrital da Guarda – guarda@eapn.pt
Núcleo Distrital de Vila Real – vilareal@eapn.pt

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