Associação ACEGIS

11 de fevereiro, Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência

Mulheres na Ciência: Contributo para o crescimento inteligente

As mulheres e raparigas são partes fundamentais no desenvolvimento de soluções para melhorar a vida e para gerar um crescimento verde, inteligente e inclusivo que beneficie a humanidade como um todo.

por, Susana Pereira
ACEGIS

Apenas 23 mulheres receberam o Prémio Nobel da física, química ou medicina desde Marie Curie, em 1903, em comparação com 624 homens. Hoje, apenas 33% das investigadoras científicas de todo o mundo são mulheres. 

Estas enormes disparidades, e profunda desigualdade, não acontecem por acaso. Muitas meninas são impedidas de se desenvolver em função da discriminação, dos estereótipos de género e por normas e expectativas sociais que influenciam a  educação que recebem, bem como os temas e áreas de estudo de interesse.

A ciência e a igualdade de género são dois fatores vitais para levar a cabo com sucesso a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Ao longo dos últimos anos, a comunidade global fez muitos esforços para inspirar e envolver as mulheres e raparigas na ciência, mas, infelizmente, muitas continuam a ser excluídas desta área.

Por isso, é necessário fortalecer as iniciativas e os programas destinados a incentivar as mulheres a prosseguirem carreiras científicas e académicas, através de programas de orientação e de redes de contacto e de apoio a cientistas do sexo feminino.

As mulheres e raparigas são partes fundamentais no desenvolvimento de soluções para melhorar a vida e para gerar um crescimento verde, inteligente e inclusivo que beneficie a humanidade como um todo. Ao limitar a presença das mulheres na ciência e nos domínios da investigação, estamos a rejeitar e a desvalorizar um potencial humano altamente qualificado. Se não quebrarmos estes estereótipos, o mundo continuará a desperdiçar talentos e todo um potencial humano.

Deixar as mulheres e raparigas de fora da educação e das carreiras nas ciência é uma perda para a humanidade.

Apenas 33% das investigadoras científicas em todo o mundo são mulheres. Na União Europeia mais de 19,1 milhões de pessoas trabalham nas áreas da ciências e engenharia. No entanto, apenas 7,8 milhões são mulheres.

Em 2015, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução declarando 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência, para obter acesso pleno e igualitário e participação na ciência para mulheres e meninas.

De acordo com os últimos dados da UNESCO (2021), apenas 33% das investigadoras cientificas são mulheres, apesar de representarem 45% e 55% dos estudantes nos níveis de bacharelato e mestrado,  e 44% dos matriculados em programas de doutoramento.

De acordo com o Eurostat, mais de 19,1 milhões de pessoas estavam empregadas na União Europeia nas áreas da ciência e engenharia, mas apenas 7,8 milhões (41%) são mulheres. Em Portugal,  o setor emprega mais de 428 mil pessoas, das quais 204 mil são do sexo feminino.

Obstáculos ao desenvolvimento profissional das mulheres: a distinção entre profissões «masculinas e femininas»

A sub-representação das mulheres e raparigas na educação em ciência, tecnologia, engenharia e matemática – STEM (science, technology, engineering and mathematics) tem raízes profundas, sendo ainda inúmeros os obstáculos que mantêm as estudantes longe destas áreas.

Estereótipos de género profundamente enraizados são um dos principais obstáculos para a carreira das mulheres na área das ciências, na investigação e tecnologias. Tradicionalmente, as sociedades percecionam algumas profissões como sendo tipicamente masculinas e outras femininas, condicionando as escolhas, os percursos académicos e profissionais de rapazes e raparigas. Estes estereótipos conduzem a uma fraca representatividade das mulheres no domínio da ciência e da engenharia.

A falta de modelos e referências femininas transmitem a ideia de que os estudos e as carreiras em STEM são domínios dos homens podem afetar negativamente o interesse e o envolvimento das raparigas,  acabando por as desencorajar seguir uma carreira na área das ciências e tecnologias. Acresce que, as práticas pedagógicas – desde estratégias de ensino, livros e materiais didáticos – influenciam escolhas e carreias de futuro, na forma como transmitem mensagens explicitas  e implícitas  sobre os papeis de género.  

Os livros e materiais didáticos, muitas vezes, não mostram profissionais do sexo feminino das áreas das STEM, e com frequência usam uma linguagem e ilustrações que mostram os homens a exercer profissões e papéis associados às ciências tecnologias, acabando por interferir nas escolhas dos percursos académicos e profissionais por parte das raparigas.

Engenheiras Por Um Dia | Ciclo de debates Raparigas nas Engenharias e Tecnologias

Em Portugal, o Projeto Engenheiras por um dia, iniciativa da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, promove junto das estudantes de ensino não superior, a opção pelas engenharias e pelas tecnologias, desconstruindo a ideia de que estas são domínios masculinos.

É coordenado pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, Carta da Diversidade (APPDI), o Instituto Superior Técnico e Ordem dos Engenheiros.

Desde a sua criação, em 2017, o Projeto já chegou a 7975 jovens do 3º ciclo e do ensino secundário, em mais de 350 atividades práticas laboratoriais, sessões de role model e mentoria.

Associação para a Cidadania, Empreendedorismo, Género e Inovação Social

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