As desigualdades de género são transversais e continuam a manifestar-se em vários domínios da vida social e económica. Frequentemente têm origem em discriminações e estereótipos profundamente enraizados relativamente ao papel das mulheres na sociedade, ao valor atribuído ao seu trabalho e à sua posição no mercado de trabalho.
No âmbito do Dia Internacional das Mulheres, a ACEGIS destaca a importância da igualdade de género no mercado de trabalho e no acesso a posições de poder em Portugal. Os dados divulgados pelo Observatório Género, Trabalho e Poder do ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão permitem acompanhar a evolução das desigualdades entre mulheres e homens, bem como refletir sobre os desafios que ainda persistem.
De acordo com o relatório, apesar da elevada participação feminina no mercado de trabalho, persistem desafios estruturais que se refletem na precariedade laboral, nos padrões de segregação profissional e vertical, nas desigualdades remuneratórias, na maior vulnerabilidade à pobreza, bem como na persistência de assimetrias no trabalho não remunerado e na gestão dos tempos de trabalho e de vida.
Estes dados reforçam a necessidade de políticas integradas que promovam a eliminação de estereótipos de género, a dessegregação do mercado de trabalho, o emprego de qualidade, a valorização das profissões com predominância feminina, a igualdade remuneratória para trabalho igual ou de valor igual, a participação das mulheres nas esferas de decisão e uma repartição equilibrada do trabalho doméstico e de cuidados.
Com esta publicação, a ACEGIS associa-se à reflexão global que assinala o Dia Internacional da Mulher, reafirmando o seu compromisso com a promoção de uma sociedade mais justa, paritária e inclusiva. É fundamental garantir a participação plena das mulheres e a igualdade de oportunidades na liderança em todos os níveis de decisão política, económica e pública para promover o desenvolvimento sustentável e fortalecer as instituições democráticas.
Embora tenham sido registados progressos, as mulheres continuam a enfrentar barreiras para entrar, permanecer e progredir num emprego digno.
São necessárias reformas estruturais que abordem a distribuição desigual das responsabilidades de cuidados, as disparidades salariais, a violência e o assédio no trabalho — fatores que tornam muitos ambientes de trabalho desiguais e inseguros para as mulheres.
Promover a igualdade de género implica combater desigualdades de direitos, tratamento, responsabilidades, oportunidades e reconhecimento em todos os setores da sociedade. Trata-se de um esforço contínuo para eliminar estereótipos de género que perpetuam modelos históricos de discriminação, desigualdade, violência e opressão.
Fundadora da ACEGIS
A Agenda 2030 regista com preocupação as “desigualdades crescentes” e as “enormes disparidades de oportunidades, riqueza e poder” que existem no mundo.
Escolaridade e emprego: a sobre-escolarização das mulheres
Emprego feminino: elevado e em crescimento
Maternidade e paternidade: efeitos diferenciados no emprego
Horas de trabalho remunerado
Trabalho a tempo parcial
Teletrabalho
Precariedade contratual
Desemprego
Reforço da segregação profissional
Desigualdades remuneratórias
Setores CTEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática)
Mulheres em órgãos de gestão e decisão
Pobreza e vulnerabilidade
Trabalho não remunerado e gestão do tempo
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Intervimos ativamente para a construção e mudança de paradigma da Economia Social e Solidária.
Pela construção de uma sociedade mais justa, paritária e inclusiva.